quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Na Costa Oeste da Vila

Hoje acordei daquele sonho que se repete e fere,
"Sinto que sofro vertigens com a sombra do meu corpo sobre o mar. Então escuto o marulhar revolto contando que o tempo brinca com as marés e foge à desfilada."
É sempre uma confissão, como levar a concha aos ouvidos e escutar canções em dialetos antigos. Lembro até que ancorei naqueles rochedos, embaraçada em espumas brancas. 
"- Pescador, perdoe-me a alma livre, nunca aprendi mesmo com os náufragos! É que desde lá, despenhei num abismo redemoinhante e naufraguei em ventos fortes. Mas, ao acordar, senti o sibilo do vento por entre aquelas rochas, cronometrando todas as minhas vaidosas verdades. E em instantes, eu era, novamente, prisioneira dos teus rochedos."
Hoje acordei daquele sonho que se repete e fere, como andar de pés descalços em corais de recifes antigos.  

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