A fachada da casa de dona Noemi amanhecia amarelada pelo sol
que, devagar, adentrava pelos cobogós. Seu feitio era feito de reboco e aroma
de café coado. A vivenda era avarandada, e dada aos contos dos curiosos que ali
passavam a contempla-la.
Pelos corredores dourados da casa, Dona Noemi, célere e
impetuosa, não escondia as lonjuras que a atormentavam. Por ser das bandas de
cá da cidade, ela nunca soubera comer da vida pelas beiradas. Com a mesa posta,
costumava destrinchar as furtivas memórias para as próximas garfadas.
Por detrás da fachada da casa amarelada, seguia-se a vida
cheia de brechas, impossíveis de decifra-las.
Nota
Noemi Pimentel Ramos Forte (1905 – 1989),
natural de Baturité/Ce, avó de Lisiane Forte.
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