terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Cobogós

A fachada da casa de dona Noemi amanhecia amarelada pelo sol que, devagar, adentrava pelos cobogós. Seu feitio era feito de reboco e aroma de café coado. A vivenda era avarandada, e dada aos contos dos curiosos que ali passavam a contempla-la.
Pelos corredores dourados da casa, Dona Noemi, célere e impetuosa, não escondia as lonjuras que a atormentavam. Por ser das bandas de cá da cidade, ela nunca soubera comer da vida pelas beiradas. Com a mesa posta, costumava destrinchar as furtivas memórias para as próximas garfadas.
Por detrás da fachada da casa amarelada, seguia-se a vida cheia de brechas, impossíveis de decifra-las.



Nota 
Noemi Pimentel Ramos Forte (1905 – 1989), natural de Baturité/Ce, avó de Lisiane Forte.

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