sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Anunciação

Os tempos melancólicos trazem de volta as folhas amareladas daquela terra orvalhada. De repente, vejo as ruelas silenciosas desafiarem os outonos imaculados de Santa Irene, esforçando-se a afadigar todos os meus devaneios míticos.
Furtiva e transgressora contorno os caminhos oníricos, e avisto Santa Irene a banhar-se numa lagoa de águas salgadas. A divindade, serva fecunda de Deus, que um dia renunciou a toda vaidade, retoma as suas vestes azuis e seduz os casais com as suas premonições.
Após sua aparição, Santa Irene dissipasse pelos penhascos, instigando ainda mais os meus presságios de setembro. Sim, de tempos em tempos, pressinto seus regressos entre as folhagens douradas das minhas veredas delirantes.
Santa Irene abençoa o meu espirito e nunca recusa os meus cantares; afundo os pés nas areias negras daquela praia, e, mais uma vez, com vestes brancas e sandálias nas mãos, anuncio pela ilha todas as suas quimeras. 

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