segunda-feira, 4 de junho de 2018

Das vésperas

Eu tenho horror às vésperas. Esperanças e esperas. De tudo o que resta - não resta nada. Mas eu nunca sei disso e sigo de olhos agarrados às chances - todas mínimas. É sempre tudo ou nada, desse medo que aperta e dói o dorso. E todas as minhas válvulas ricocheteiam o peito. Eu viro do avesso, sangro os poros; e o suor arde as minhas vistas, inundando-as. Dos líquidos, só o leite não escorre - era bonito. Eu sufoco os olhos apertados, dessa dor que rasga as calmas. Já as minhas costas pesam às vésperas. Das voltas que dei, das más vindas, dos recados mal dados, das coisas que ainda não sei. Todas as vezes, todas às vésperas, e sempre um pouco mais a cada promessa.

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