Já
era fim da linha quando paramos em frente a uma “bodega” que vendia panelada
aos fins de semana. De tempero forte e longa
cozedura, o prato e eu. O motorista, distraído, não parou quando dei o sinal, e
eu só queria ir atrás das minhas inexistências. A paneleira até desconfiou do
meu olhar delongado pela sua calçada. É que hoje acordei sem café e sem afeto,
dando voltas numa cidade que ainda não conhecia. Longe dali, pelo janelão, só
avistava pessoas sem lugar e sem história. Talvez vultos que definham. Faces
que escapam a memória. E, aqui dentro, eu era tão invisível para o meu
companheiro de viagem, quanto os pontos de resistência de quem queria descer na
próxima parada.
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