quarta-feira, 7 de março de 2018

Impermanências


Se tiveres um plano para me esquecer, lembre-se que um dia tudo vai passar.
As horas de hoje; o dia de amanhã, e o meu tênis vermelho que esqueci ontem por aqui.
Já confessei a ti que jorra sangue entre as minhas pernas, enquanto desbota toda a cor do meu vestido verde (tão curto quanto as minhas permanências).
Eu já não quero trançar os cabelos para te ver passar, de tão longos e soltos os meus dias.
Então, só te restarás partir, assim sem pedir licença; sair de perto de mim, assim sem demora.
É que eu não sou mais daqui, e não pertenço a ti.
Se fugires, talvez não sofrerás mais com o meu riso frouxo e meus atrasos permanentes.
Mas, se tiveres um plano para me esquecer, lembre-se que um dia tudo, tudo vai passar.

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