domingo, 7 de janeiro de 2018

A febre

Eu não sei quem cuidará da minha febre
E dos meus dedos tortos
Mas ainda espero no casebre
O que deseja os meus restos mortos

Toma lá da cá, pode aguardar;
Das migalhas de tudo o que ouviu falar
Das cicatrizes que arranjei por lá
Das memórias que trouxe para cá

Tudo se foi pelos ares
Nada encontrará
Nem aquela canção; pode apostar
Não conseguirá mais cantarolar

Mas confesso que o medo tomou conta de mim
E eu não quero ficar mais por aqui
As recordações tristes; penduradas ali
Meu suor escorrendo; tu viste dai

Deixe-me ir embora, caro senhor
Levarei comigo tudo o que for furta-cor
O beija-flor, os discos do Belquior e o velho cobertor
A febre passará, meu desertor

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